Eunice Salvador - Artista Plástica
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Documentação
Texto de Exposição de Pintura
Abril / 2013

A natureza selvagem em equilíbrios pontuais com a natureza humana, em desequilíbrios constantes com tudo o que a rodeia e uma atenção necessária na relação que se mantém com a natureza, tudo isto são motivos que de alguma forma evoco no meu trabalho. Deste modo, utilizo conceitos de pintura de paisagem, mas sempre recorrendo a modos de exploração de quaisquer identidades humanas.
Em life nullius, tal como acontece em terra nullius, a considerada terra de ninguém e que por este mesmo motivo poderia vir a ser conquistada, existe uma propensão para o vazio, uma queda para o movimento, uma ascensão para o caos. Dialogam assim, orgânico e inorgânico, vazio e cheio, quietude e movimento, claro e escuro, masculino e feminino, ternura e agressividade, construindo deste modo, pinturas sempre em constante mutação.
Foi este pequeno texto que escrevi para a minha última exposição, a que dei o título de Life nullius. De forma bastante sucinta, pois os registos feitos não necessitam (não deveriam necessitar) de palavras que os acompanhem, tentei descrever alguns dos aspectos que abraçam o meu modo de fazer. Os gestos soltos, os gestos contidos, o que queremos ou não controlar, o que está lá mas não conseguimos ver, mas de uma qualquer outra forma sabemos da sua existência. São estes registos que aparecem gravados, as presenças e ausências, os ressoamentos, o que parece ter sido visto, o que não vimos de todo mas à mesma surge de forma definida no momento do fazer, talvez até o tenhamos visto. O que vimos, mas não conseguimos fazer aparecer. Sempre com diferentes intensidades, aproximações e afastamentos, num processo de focagem e desfocagem, aproximação e afastamento. Em que o corpo, que faz, que vê, é crucial em todo o processo.


Eunice Salvador